Um estudo recente analisou a utilização de resíduos agrícolas e de materiais obtidos através da pirólise de pneus usados na produção de borracha. Os resultados apontam para um maior potencial dos materiais provenientes de pneus em fim de vida, abrindo novas perspetivas para a economia circular no sector.

A transformação de pneus em fim de vida em matéria-prima para novos produtos poderá assumir um papel crescente na transição para uma indústria mais circular. É essa uma das conclusões de um estudo recente, que analisou a possibilidade de substituir parcialmente o negro de fumo (carbon black) utilizado no fabrico de pneus por materiais provenientes de resíduos agrícolas e de pneus sujeitos a pirólise.
Os resultados, que interessam diretamente ao trabalho desenvolvido pela Valorpneu na gestão e valorização dos pneus usados em Portugal, mostram que as duas soluções apresentam desempenhos distintos.
Quando utilizados em quantidades elevadas, os resíduos agrícolas provocaram uma redução significativa da resistência mecânica da borracha, limitando a sua utilização como substituto do negro de fumo.
Já os materiais obtidos através da pirólise de pneus em fim de vida revelaram resultados mais promissores. As formulações apresentaram propriedades técnicas próximas das soluções convencionais e, em alguns parâmetros, chegaram mesmo a superar o desempenho das formulações de referência.

Do resíduo à matéria-prima
A pirólise consiste na decomposição térmica dos pneus em condições controladas, permitindo obter diferentes materiais e produtos que podem voltar a ser utilizados em processos industriais.
A possibilidade de incorporar estes materiais em novas formulações de borracha representa um passo importante no conceito de economia circular: um pneu usado deixa de ser encarado exclusivamente como resíduo e passa a constituir uma fonte potencial de matéria-prima para um novo ciclo produtivo.
Além da redução da utilização de matérias-primas de origem fóssil, a solução poderá contribuir para diminuir o impacte ambiental associado à produção.
De acordo com o estudo, a substituição parcial do negro de fumo permitiu reduzir a pegada de carbono da produção de cerca de 3,6 kg de CO₂ equivalente por quilograma de material para valores entre 3,2 e 3,29 kg.

Um novo papel para os pneus usados
Os resultados reforçam a importância de aumentar as soluções de valorização dos pneus em fim de vida, área em que a Valorpneu desempenha um papel central em Portugal.
A evolução tecnológica poderá permitir que uma parte crescente dos materiais recuperados dos pneus usados regresse à cadeia de valor, reduzindo simultaneamente a quantidade de resíduos e a necessidade de recursos virgens.
Para a indústria dos pneus, o desafio passa agora por transformar estas soluções laboratoriais em aplicações industriais economicamente viáveis e capazes de garantir os elevados níveis de desempenho e segurança exigidos aos produtos.
A ideia de um pneu poder contribuir para fabricar outro pneu aproxima-se, assim, de uma realidade industrial: em vez de terminar o seu ciclo de vida como resíduo, o pneu usado poderá tornar-se parte da matéria-prima de uma nova geração de produtos.


























