A Ayvens Portugal apresentou recentemente dois estudos de mercado; o Car Policy Benchmak e o Estudo de Mobilidade, frutos da área de consultoria da empresa. Ricardo Silva (foto), Diretor Comercial, Marketing e Comunicações da empresa, em entrevista à Revista Automotive, aborda as principais conclusões destes estudos, e também faz um ponto de situação do panorama frotista em Portugal.
De acordo com este responsável da Ayvens “para o Car Policy Benchmak este ano concorreram 400 empresas, representando mais ou menos 12 mil viaturas e muitos milhões de quilómetros percorridos por ano. Assiste-se, embora não seja totalmente independente da eletrificação, um aumento da duração dos contratos de renting. Tipicamente os contratos rondavam os 42 a 43 meses, e agora aproximam-se dos 51 meses.
Essa extensão é em parte explicada graças a uma maior eletrificação das frotas visto que, num espaço de poucos anos triplicou-se o número de carros eletrificados nas empresas, passando dos 13 para os 40%. A outra parte tem a ver com o aumento do preço dos carros novos e, prolongar a duração do contrato é uma forma que as empresas encontraram para manter as rendas mais equilibradas.
Outro fator identificado no Car Policy Benchmark é que as empresas estão a contratar mais serviços associados ao renting num nível que agora situa-se acima dos 80%. Mesmo o renting tem aumentado a sua expressão. Por exemplo, a percentagem do renting nas vendas de carros novos ascendeu aos 16,4% em 2025, quando em anos anteriores situava nos14%.

Mais serviços
Assim, as empresas com frotas estão a recorrer mais ao renting, e dentro do renting, optam por ter mais serviços. O nosso tecido empresarial está mais profissional na gestão da sua frota. Agora, por força da competitividade, as empresas concentram mais atenção no seu negócio e a entregarem a gestão da frota aos especialistas nesta área, onde se insere a Ayvens.
No estudo das motorizações as conclusões demonstraram que a eletrificação das frotas, continua a um ritmo acelerado. Notámos que do ponto de vista do TCO, o carro elétrico é a motorização ótima em 80% dos perfis analisados pela nossa equipa de consultoria. Naturalmente que há exceções, como é o caso dos Veículos Comerciais Ligeiros (VCL) e os citadinos.
Nos VCL o benefício fiscal praticamente não existe, e os furgões elétricos ainda são muito caros, comparativamente aos seus equivalentes a combustão. Neste segmento o diesel ainda é a motorização predominante. Nos utilitários de baixa quilometragem, tipicamente de utilização citadina, o elétrico ainda não é a opção mais competitiva do ponto de vista do custo total de utilização (TCO).
Acima dos 10 a 15 mil quilómetros/ano o elétrico já é a motorização mais competitiva. É verdade que a eletrificação ainda está assente nos benefícios fiscais para as empresas, embora cada vez menos. Mesmo retirando os benefícios fiscais, o elétrico continua a ser o vencedor em termos de TCO, em mais de 60% dos casos. Nota-se uma poupança média de 19% da motorização 100% elétrica comparativamente às motorizações a combustão.
Também é importante destacar que 40% dos modelos disponíveis nas bases de dados das marcas automóveis já são eletrificados, dos quais 28% são 100% elétricos. Portanto, também se nota o crescimento da oferta de modelos por parte dos fabricantes.

Postos de recarregamento
De ressaltar que houve uma estagnação em termos de vendas de carros elétricos dentro do renting. Isto ocorreu porque nos segmentos mais óbvios, as empresas já estão a eletrificar. Nos segmentos de entrada, há ainda falta de oferta de modelos, sobretudo nos citadinos.
Depois temos a outra limitação do ponto de vista da operacionalidade: ou seja, o número de postos na rede pública em Portugal. A média da Europa ronda os 12 carros por posto e, em Portugal, estamos nos 24 carros por posto público. Estamos atrás daquilo que são os padrões para uma utilização mais adequada do carro elétrico.
Assistimos à entrada de novas marcas no mercado nacional, sobretudo as asiáticas. A oferta de marcas é cada vez maior, mas nem todas irão sobreviver. Este fenómeno é uma vantagem para o renting. Com marcas novas onde é incerto o seu futuro, nós tiramos essa preocupação. Com o renting o cliente utiliza o carro durante 4 anos, com a mobilidade assegurada, e depois caso não queira dar continuidade ao contrato, ou se tiver problemas com o pós-venda, o risco será sempre nosso.
Por isso, o nosso trabalho também sé gerir risco, dar previsibilidade aos clientes e com isso dar-lhes tranquilidade. Esta transição tecnológica acaba por beneficiar o renting, na medida em que nós tiramos todas essas preocupações dos nossos clientes.
Antigamente, a escolha da motorização para uma frota era mais simples; agora tornou-se muito mais complexa. A regulação europeia, com avanços e recuos, não vai mudar o caminho da eletrificação. Os fabricantes, com os investimentos que já fizeram, também não vão recuar, mas a eletrificação ainda não é para todas as frotas. Ainda existem perfis de utilização que são incompatíveis com eletrificação por diferentes razões. É preciso que a transição energética seja feita à medida de cada empresa e de cada perfil de utilização.
Embora os carros estejam mais caros, há maior pressão para vender carros elétricos e, portanto, os descontos por parte dos fabricantes de automóveis acabam por beneficiar os compradores, onde já se conseguem negociar carros a preços interessantes comparativamente àquilo que não acontecia quando havia falta de produto. Com isto tem sido possível uma maior renovação do parque automóvel frotista.

Serviços de pós-venda
O pós-venda está bastante difícil atualmente. Para terem uma ideia, uma imobilização por avaria em média demorava oito dias a ser concluída, agora demora mais do dobro.
A nossa expectativa era que o rejuvenescimento da frota trouxesse menos imobilizações, mas está-se a revelar o contrário, principalmente com os modelos mais recentes. Nota-se claramente que a pressão para pôr os carros no mercado fez as marcas automóveis saltarem etapas de controle de qualidade.
Temos mais carros novos a avariar com mais frequência do que seria o desejável. E isto não se deve ao fator eletrificação, pois acontece de uma forma geral. Existe assim uma maior frequência de imobilização em carros mais recentes e as oficinas não têm conseguido lidar com esse volume.
Acresce a isto que as garantias de certas marcas aumentaram, o que tem posto mais pressão nas redes oficiais, porque têm de gerir mais carros ao abrigo das garantias das marcas.
Os carros novos têm diagnósticos mais complexos. O tempo de diagnóstico é demorado e às vezes as marcas têm de recorrer a centros de competências localizados fora de Portugal, não tendo autonomia local para resolver as situações. Esse tipo de risco não faz sentido estar na gestão de frota empresa, interferindo no seu dia-a-dia, condicionando as suas operações.
Temos vindo a ultrapassar diversos desafios no âmbito do pós-venda e o nosso objetivo é que os clientes tenham o menor impacto possível através da mobilidade garantida, carro de substituição, entre outras soluções. E a propósito do serviço de pós-venda, temos uma ferramenta que é a Oficina Fácil, que permite fazer o agendamento de uma intervenção através do smartphone ou do computador, de forma simples e cómoda para os clientes.

Digitalização e mais serviços
Recentemente lançámos uma funcionalidade em que os condutores, quando fazem uma encomenda de uma nova viatura, conseguem ter acesso ao estado de encomenda e todos os passos que se seguem. Continuamos a investir na digitalização da experiência, mas não apenas pela mera digitalização.
Faz parte da nossa filosofia, sermos capazes de servir as necessidades dos nossos clientes na mobilidade, e por essa razão, temos um conjunto alargado de serviços como, por exemplo, o renting de usados, o Ayvens Flex para o renting de curta duração (até 24 meses), e também o renting de especialidade no segmento dos LCV.
Nos LCV dispomos de uma especialização diferenciadora no mercado nacional, sobretudo em termos de veículos transformados. Nessa área temos como responsável o Sérgio Serafim que é um grande conhecedor de LCVs e consegue encontrar para cada cliente uma solução à medida.
Portugal, dentro dos LCVs transformados, é um país muito particular, porque os empresários portugueses, gostam de personalizar muito, às vezes em excesso estes veículos. Já alcançámos um grande conhecimento ao nível das transformações, e também ao nível da regulação, das inspeções, da relação com o IMT, as vistorias técnicas, os testes, os ensaios destrutivos, entre outros aspetos importantes para continuarmos o desenvolvimento deste negócio.
Há todo um conjunto de etapas que têm de ser asseguradas e nós, na Ayvens, conseguimos acrescentar valor ao cliente, ao saber como percorrer toda esta jornada do que é homologar uma viatura, uma pequena série, ou até uma grande série de viaturas” salientou Ricardo Silva.




























