O Suzuki S-Cross teve uma evolução exponencial nesta sua nova geração. Passou de um familiar médio para um SUV, tendo introduzido uma nova era para a Suzuki em termos de design exterior, bem como de interior. O S-Cross está mais bem posicionado para alargar os seus segmentos de mercado, como é o caso das frotas.
Equipado com nova caixa de velocidades automática, resolvemos testar este modelo mild-hybrid em contexto de utilização real, explorando também as suas capacidades fora de estrada. Para isso, convidámos Rui Valongo, Sócio-Gerente na JDV Construção e Obras Públicas, um condutor experiente no mundo do todo-o-terreno, bem como um profissional reconhecido no seu setor.
Rui Valongo conta-nos que “o meu pai, João de Deus Valongo, começou a trabalhar em 1979 na área dos transportes, tendo depois alargado a atividade da empresa para outros setores. Mais tarde entrei na empresa e aqui fiz o meu percurso profissional até à administração da empresa.
Diversidade

Hoje a JDV Construções trabalha em várias áreas: demolição, movimentação de terras, obra pública e infraestruturas, agricultura (preparação de solos), florestal, transportes (construção civil) e também no aluguer de máquinas.
Optámos por trabalhar em áreas distintas. Hoje, com quase 50 anos de atividade, sabemos que há altos e baixos cíclicos nos setores. Ao trabalhar em várias áreas, minimizamos o risco e com isso mantemos estável o número de trabalhadores, bem como dos equipamentos.
Por termos essa abrangência, revejo-me na amplitude de temas que a Automotive divulga, mensalmente, na Revista. Vocês retiraram o setor de máquinas do esquecimento e são a única revista que divulga, com amplitude, o setor das máquinas. Contudo, também noto que ainda há falta de iniciativa das marcas para evoluírem, estão muito estagnadas.
Os veículos pesados ganharam dinâmica há vários anos convosco e os ligeiros de passageiros, historicamente sabem bem valorizar o que têm. Haja visto este teste de um modelo da Suzuki, uma marca que não tem receio em que o seu carro seja posto à prova e sem constrangimentos de que o resultado disso seja publicado.
Capacidade de tração

Já que é para testá-lo, vamos fazê-lo em condições reais. Uma parte da minha atividade consiste em acompanhar no terreno, os trabalhos que estão a ser feitos e, assim, vou poder testar o S-Cross em ambiente agrícola, pedreira, obra pública e também em areia.
Começo pela área agrícola, onde este carro já me surpreendeu pela capacidade de tração em modo 4×4. Num terreno mais macio e ainda com alguma lama, não se atascou e portou-se melhor do que esperava. Para um SUV tem um bom angulo de ataque.
Saindo desse cenário, o nosso próximo local de teste é uma pedreira que fica há alguns quilómetros daqui. Conduzindo em estrada, neste troço de ligação, sinto que este é um carro bem confortável para se fazer percursos médios, por exemplo, ir de Caldas da Rainha a Lisboa. Em termos geográficos, a JDV Construções realiza trabalhos em todo o país, desde o Algarve até Bragança. Temos a nossa sede em Caldas da Rainha e instalações em São Julião do Tojal (Lisboa).
O S-Cross na pedreira também não se poupou a nada. Passou com distinção nas provas que efetuámos, combinando muito bem com o cenário da pedreira da Euroinertes, uma parceira nossa. O Suzuki enquadrou-se no espírito de trabalho que tem esta empresa, complementado o panorama das máquinas a operarem em um terreno muito exigente para qualquer veículo.
Frota multiusos

Quanto as nossas máquinas, a JDV Construções conta com uma frota composta por escavadoras/giratórias de rastos desde as de grande porte até às miniescavadoras, pás-carregadoras, dumpers, bulldozers, telescópicos multifunções, cilindros de compactação, retroescavadoras, tratores agrícolas, entre outras, num total de quase 30 máquinas. Também dispomos de toda uma panóplia de implementos, para diferentes trabalhos que realizamos. Além disso temos cerca de 10 camiões, ao que se somam quase uma dezena de viaturas ligeiras.
Em termos de marcas, para máquinas de grande porte trabalhamos maioritariamente com a Volvo. Nas intermédias e de pequeno porte, temos Caterpillar, Bobcat, Hitachi, CASE, Kato, Dynapac, entre outros. No serviço de apoio, trabalhamos maioritariamente com duas empresas: a Ascendum para máquinas Volvo, e a Socimavis para quase todas as outras máquinas e equipamentos.
Na nossa atividade, a assistência técnica conta mais do que a marca das máquinas; é um ponto-chave no nosso setor. As máquinas só avariam quando as colocamos em funcionamento — e é justamente quando estão a trabalhar que precisamos delas. Por isso, a assistência e os serviços técnicos, são fundamentais para que possamos continuar a operar.
Serviços essenciais
O custo de ter uma máquina parada é muito elevado. Há serviços onde as máquinas operam numa espécie de linha de produção. Por exemplo, uma giratória a carregar dois dumpers para fazer um aterro, com um bulldozer depois a espalhar a terra e um cilindro a compactá-la. Se essa giratória avaria, são logo 4 máquinas que vão ficar paradas até a giratória voltar a funcionar. O custo de ter todo esse equipamento parado é bastante elevado e compromete o bom andamento dos trabalhos.

Voltando ao S-Cross da Suzuki, para o nosso ramo de negócio, este carro é mais que ajustado. Tipicamente o que se tem em uso é uma pick-up, para se transportar nelas os depósitos de gasóleo para as máquinas ou algumas ferramentas, mas é pouco frequente utilizá-las no seu pleno. Aliás, para o nosso trabalho é raro necessitarmos de uma viatura com 4×4 integral e redutoras. Sobretudo a nível dos consumos, são carros pouco económicos e normalmente pagam classe 2 nas portagens o que encarece a operação, sem falar nos pneus, manutenções, entre outros aspetos.
Depois da pedreira, quis testar este modelo Suzuki numa obra pública que estamos a realizar. O terreno aqui não é o problema, mas sim o espaço. O S-Cross mostrou boa manobrabilidade em espaços curtos. Gostei também do tamanho da bagageira, útil para transportar algumas ferramentas e outros acessórios para a obra. Por fim, um último teste num areal. Também neste tipo de terreno o Suzuki se mostrou à altura do desafio e manteve um andamento seguro e eficiente.
Consumo reduzido

A performance deste S-Cross é mais que suficiente, com a vantagem de ser classe 1 nas portagens. Quanto aos consumos, registei 6,8 lts/100km de média, o que é um consumo reduzido para um motor a gasolina, tendo em conta os trajetos e tipologia dos pisos onde realizei os testes. O S-Cross tem controles através de botões físicos, o que aprecio, juntamente com aquecimento de bancos e teto de abrir panorâmico, detalhes que demonstram a preocupação da marca com o bem-estar do condutor e ocupantes.
Tenho um carro premium com motor a diesel, mais estradista, que utilizo mais em contexto de família. Para o dia-a-dia gosto de carros práticos. Chegámos a ter na nossa frota da empresa um Suzuki Samurai 1.9 pick-up, que fez centenas de milhares de quilómetros. Era um carro que os meus trabalhadores gostavam de utilizar porque era muito versátil, compacto, leve, divertido e ia a todo o lado. Para o pessoal do todo-o-terreno o Suzuki Samurai e o modelo Vitara são modelos míticos.
Sou um apaixonado por carros e mais ainda pelo todo-o-terreno. A maioria dos carros atualmente são todos bons, exceto em três coisas: durabilidade, onde foram feitos para durar 4 a 5 anos e depois trocar; o custo de aquisição, que está cada vez mais alto; e muita tecnologia incluída que, apesar de impressionar à primeira vista, pouco acrescenta à verdadeira experiência de condução ou à fiabilidade dos veículos.
Estamos também num momento pouco claro em termos de decisão de frotas. Não é certo que os carros 100% elétricos serão o futuro ou se o hidrogénio será a alternativa. Escolher um híbrido como este S-Cross acaba por ser uma escolha segura para qualquer frota. Só tem um contra: é ser equipado com motor a gasolina. Continuo a gostar de carros a diesel. Sei que aqui é uma questão de gosto, mas se tenho de dar a minha opinião, gosto de ser sincero em tudo.

Este S-Cross tem alguns elementos requintados no seu interior, mas é um carro tipicamente japonês. Foi feito para a durabilidade. Neste ponto, acredito que a Suzuki se mantém fiel e diferencia-se das outras marcas. Acrescenta-se a isso uma parte estética bem conseguida, adaptada aos tempos atuais.
Dos vários testes de condução, pisos e ambientes por onde conduzi, contatei que é um ótimo carro de trabalho, principalmente para circular nas várias áreas onde minha empresa opera. Tem as características ajustadas e se a rede de assistência for tão boa quanto o carro, então este modelo tem a combinação perfeita para a nossa atividade”, destacou Rui Valongo.





























