A Revista Automotive esteve na Holanda para conduzir o novo camião 100% elétrico da DAF, em operações na empresa St vd Brink. Na foto acima, Geoffrey Hagen, motorista da St vd Brink que acompanhou o teste, com Eduardo Gaspar, diretor da Revista Automotive, que conduziu o camião.
O teste foi realizado ao modelo DAF XD350 100% elétrico, com uma unidade compacta de dois motores elétricos acoplados a dois inversores, com uma caixa de velocidades integrada de três velocidades, totalizando 480cv de potência. Para a sua operação, a St vd Brink utiliza 4 packs de baterias de 105 kWh, chegando assim aos 420 kWh.
Para a realização deste teste em condições reais de utilização esta unidade estava totalmente carregada, com um peso total de 32 toneladas. No início da condução, as baterias estavam a 88%, indicando uma autonomia de 245 km.
As baterias da DAF utilizam a tecnologia Lítio-Ferro-Fosfato (LFP) que apresenta várias vantagens. A começar pelos carregamentos, esta tecnologia tem grande resistência aos ciclos de carregamento: até 4000 ciclos mantendo acima de 80% da sua capacidade, bem como permite o carregamento diário até aos 100% sem impacto na sua longevidade.
Logística

A St vd Brink opera uma grande variedade de transportes. Contudo, a grande distribuição e o canal HORECA compõem a maior parte da sua atividade. A empresa dispõe de cerca de 40 camiões elétricos na frota, alguns dos quais são da marca DAF.
O camião que conduzimos está destinado às operações da rede de supermercados Albert Heijn, na Holanda. Com este cliente, a St vd Brink utiliza os camiões em dois turnos, carregando as baterias entre turnos e durante os descansos dos motoristas. Os camiões carregam as baterias nos armazéns da Albert Heijn, bem como em algumas das suas lojas, estão equipadas com carregadores de até 400kW.
Desta forma, o DAF XD350 que conduzimos, realiza rotas entre os armazéns da Albert Heijn e os seus supermercados. As rotas foram planificadas numa parceria bem organizada entre a St vd Brink e a Albert Heijn, com suporte técnico da DAF. Os camiões utilizados nesta operação têm cabine com cama, para que os motoristas possam descansar (caso pretenda), durante as pausas dos seus turnos.
O DAF elétrico tem-se mostrado muito ajustado para a distribuição urbana, principalmente nas descargas à noite, onde o silencio destas unidades contribuem para o sossego daqueles que residem nas proximidades dos supermercados.
Geoffrey Hagen conta-nos que as rotas nunca são as mesmas, mas são sempre planeadas com antecedência e para que se utilize sempre a rede própria de carregamento das unidades da Albert Heijn. Tendo em conta a autonomia dos camiões com propulsão 100% elétrica, as rotas estão limitadas geograficamente para que se tenha sempre uma reserva de emergência.
Legislação

Na Holanda, ainda não está claro na legislação se o tempo de carregamento elétrico do camião conta como tempo de trabalho (disponibilidade) ou de descanso. Por enquanto, está-se a assumir como sendo tempo de disponibilidade, porque enquanto carrega as baterias, o camião também está a ser carregado ou descarregado de mercadorias, como no exemplo da frota elétrica da Albert Heijn
Em termos gerais, das diferentes marcas de camiões elétricos que a St vd Brink tem, todas têm se mostrada capazes de realizar as operações estabelecidas para o efeito. No entanto, é preciso recorrer aos softwares de cada marca para coordenar algumas ações (como programar carregamentos), funções que a empesa aguarda que venham ser brevemente integradas num único software.
Nos cerca de 100 km que conduzimos o camião entre um armazém da Albert Heijn e um dos seus supermercados, obtivemos um consumo de 116kWh/100km, que segundo Geoffrey Hagen, é um valor que está dentro das médias dos motoristas da sua empresa.
Em termos dinâmicos, este modelo DAF XD350 é o mesmo que testámos em setembro de 2025, aquando da apresentação mundial da nova gama de camiões 100% elétricos da DAF na sua sede em Eindhoven (Holanda), cuja reportagem abordou de forma completa os aspetos técnicos e da condução desta nova gama.
No entanto, este teste realizado com o camião da empesa St vd Brink, foi necessária para contextualizarmos este modelo numa operação prática, revelando assim alguns aspetos importantes, dentro do que nos foi possível tornar público. Para finalizar, um agradecimento à empresa St vd Brink que nos confiou o seu camião para conduzirmos em condições reais de utilização, bem como disponibilizou-nos um dos seus mais experientes motoristas para acompanhar o teste e partilhar a sua experiência connosco.




























