A Liebherr iniciou testes com motores a combustão interna de duplo combustível (foto acima) alimentados por amoníaco (NH3), tendo apresentado “resultados satisfatórios o suficiente para iniciar projetos-piloto” segundo revelou a empresa à Automotive, durante a nossa visita às instalações da Liebherr, em Munique. Estando ainda envolto em algum secretismo, complementamos a abordagem com outras fontes.
O Instituto de Tecnologia de Karlsruhe (Alemanha) revelou-nos que o amoníaco pode ser utilizado diretamente como combustível em motores de combustão interna. No entanto, as suas propriedades de combustão não são ideais para o funcionamento do motor. Em particular, a sua baixa capacidade de ignição e a reduzida velocidade de propagação da chama colocam alguns desafios, especialmente em motores de alta rotação, bem como o seu potencial de ataque corrosivo.
Misturar com hidrogénio
Segundo o Instituto, a mistura com uma determinada quantidade de hidrogénio (facilmente inflamável) como combustível coadjuvante, pode ajudar a ultrapassar este problema. Além disso, é possível decompor uma parte do amoníaco em hidrogénio antes da combustão, pelo que só seria necessário armazenar amoníaco.
Existe também uma vantagem significativa em termos de eficiência no armazenamento de amoníaco líquido refrigerado, em comparação com o hidrogénio líquido refrigerado, devido ao comportamento de ebulição mais favorável e à maior densidade energética do amoníaco.
Em complemento, o Instituto de Termodinâmica da Universidade de Rostok (Alemanha), referiu que quanto maior for o motor e quanto mais baixa for a sua velocidade de funcionamento (rotação), mais facilmente esse motor pode ser operado com amoníaco. Nesse sentido, as aplicações como máquinas de construção civil e motores estacionários podem ser os primeiros a incorporar motores a combustão interna de duplo combustível que utilizem amoníaco.
A Agência Portuguesa para o Ambiente, esclareceu que o amoníaco é um gás altamente reativo e solúvel. É originário de fontes naturais e antropogénicas, sendo a principal fonte a agricultura, por ex. degradação e volatilização da ureia, adubos, lamas, produção e aplicação de fertilizantes e queima de biomassa. O amoníaco também é emitido por uma variedade de fontes não agrícolas, como indústria, conversores catalíticos em carros a gasolina, aterros sanitários, esgotos, e até de compostagem de materiais orgânicos.



























