No grupo Bosch, o lucro em 2025 caiu quase para metade e as perspetivas para os próximos anos são incertas. Os trabalhadores receiam pelos seus empregos: segundo a empresa, só na Alemanha deverão ser eliminados mais de 20.000 postos de trabalho até 2030. O número total de trabalhadores que serão despedidos em todo o mundo ainda não foi revelado.
O presidente executivo Stefan Hartung descreveu 2025 como um ano “difícil e, em parte, doloroso”, e avisou que não pode prometer tranquilidade para 2026, já que as medidas anunciadas — sobretudo cortes profundos no setor automóvel — terão de ser aplicadas.
A Bosch tem vindo a aplicar uma política de redução de pessoal nos últimos dois anos, o que tem implicado em custos mais elevados para a empresa, nomeadamente com indemnizações e planos sociais. Em 2025 o seu lucro operacional caiu para 1,7 mil milhões de euros, cerca de metade do valor do ano anterior.

A empresa aponta a quebra nas vendas na China e efeitos cambiais desfavoráveis como causas da descida dos lucros. Só a partir de 2027 são esperadas melhorias significativas, e apenas em alguns mercados. O setor automóvel, o mais importante para a Bosch, continua sob forte pressão, onde a sua fábrica de Waiblingen (Alemanha) deverá encerrar até 2028, entre outras.
O resultado das decisões
Segundo Stefan Reindl, a fraca procura na China, a adesão lenta à mobilidade elétrica na Europa e as tarifas impostas pelo Presidente Donald Trump agravaram a crise da indústria automóvel alemã e dos seus fornecedores. O responsável não referiu nenhum erro na estratégia da Bosch ao longos dos anos – é sempre mais fácil apontar a culpa para situações externas adversas.
Facto é que a Bosch recebeu várias ajudas europeias para a mobilidade elétrica e nos últimos sete anos verticalizou-se para os carros elétricos, sabendo dos riscos que estava a correr. O mesmo com a China, onde instalou 34 fábricas e 26 centros. Sobre Trump, também era algo que até o mais leigo em economia previa acontecer.

Ao mesmo tempo que preconizava os carros elétricos, a Bosch deixava “esquecida” a sua rede Bosch Car Service. As oficinas que quiseram preparar-se para repararem carros elétricos, tiveram de fazê-lo praticamente por sua conta e risco. Abandonados também se têm sentido os que trabalham com a divisão de pós-venda da Bosch. Distribuidores, retalhistas e oficinas, têm relatado à Revista Automotive um descaso total da empresa-mãe alemã, apesar de reconhecerem esforços da unidade da Bosch em Portugal.
Para culminar, em 2025 a Bosch tornou o seu fundador, Robert Bosch, num influencer das redes sociais intitulando “o Influencer Automotive”. A comunicação é o reflexo do estado de uma empresa.
Há algo de profundamente desajustado para que Robert Bosch, cujo nome ficou associado a uma transformação estrutural da indústria mundial, estar a “acotovelar-se” no mesmo espaço dos influencers digitais de relevância duvidosa e protagonismo fugaz. Confundir impacto histórico com notoriedade instantânea, é o mesmo que tentar investir em inteligência artificial e esperar que ela salve uma empresa global.




























