Há peças que fazem parte do funcionamento normal de um automóvel, sofrem desgaste com a utilização e acabam por ter de ser substituídas, mas que nem sempre são fáceis de encontrar fora da rede oficial do fabricante. É precisamente nesse espaço do mercado que a espanhola BCAR tem vindo a construir a sua atividade.
Com sede e armazém de distribuição na região de Barcelona, a empresa começou por concentrar a sua atividade nos mercados europeus, mas entretanto alargou a sua presença a mais de 50 países. Espanha, Portugal, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos, Suíça e Itália estão entre os principais mercados europeus, aos quais se juntam países da Europa de Leste, como Roménia, Polónia, Ucrânia, Geórgia e Cazaquistão, além de vários mercados africanos.
A presença na Automechanika serviu para mostrar precisamente essa oferta, assente em componentes que, apesar de específicos, apresentam uma procura regular devido ao desgaste associado à utilização dos veículos.

Cabos de comando continuam a ser a referência
Os cabos de comando da caixa de velocidades constituem a principal área de atividade da BCAR e aquela pela qual a empresa é mais conhecida no mercado. O catálogo inclui aplicações para um elevado número de modelos, com particular incidência nos veículos mais antigos, embora este tipo de componente continue presente em automóveis de produção mais recente.
A aposta da empresa passa por cobrir aplicações que podem não ter uma presença significativa nos canais tradicionais de distribuição independente. É uma característica comum a vários dos produtos que compõem o catálogo da BCAR: componentes relativamente específicos, mas cuja substituição é necessária quando atingem o final da sua vida útil.
Outra das áreas em desenvolvimento é a dos sistemas de travão elétrico. A gama inclui pinças de travão elétricas, interruptores associados ao travão de estacionamento elétrico e atuadores vendidos individualmente.
Este último componente assume particular interesse para o mercado independente, uma vez que, em determinadas aplicações, pode ser difícil encontrá-lo isoladamente fora dos canais oficiais do fabricante.
A gama abrange veículos produzidos a partir do início da década de 2010, mas também modelos mais recentes, acompanhando a progressiva substituição do tradicional travão de mão por sistemas de acionamento elétrico.

Componentes específicos ganham espaço
Entre as novidades apresentadas pela empresa está também uma gama de bombas de vácuo elétricas, utilizadas em sistemas de travagem de determinados veículos, nomeadamente modelos Diesel modernos, veículos equipados com sistemas Start-Stop e aplicações híbridas.
A evolução tecnológica dos automóveis está, neste caso, a criar novas necessidades no mercado de reposição. Componentes que anteriormente tinham uma presença mais limitada passam a integrar sistemas cada vez mais complexos, abrindo novas áreas de intervenção para a reparação independente.
Qualidade como condição para o pós-venda
Num segmento em que muitos destes componentes continuam associados ao fabricante do veículo, a questão da qualidade assume particular importância.
A BCAR procura posicionar os seus produtos num nível próximo das especificações dos componentes de origem. Um dos exemplos apontados pela empresa é o processo de controlo aplicado aos cabos de comando: cada unidade é sujeita, à entrada no armazém de Barcelona, a um conjunto de testes de controlo antes de ser disponibilizada para distribuição.
A razão é sobretudo prática. Para uma oficina, a substituição de uma peça que apresenta uma falha implica não apenas o custo do componente, mas também mão de obra, tempo perdido e, em muitos casos, a necessidade de voltar a imobilizar o veículo.
Num mercado em que a confiança do reparador determina em grande medida a continuidade da relação com uma marca de peças, a fiabilidade torna-se, por isso, um fator decisivo.

Em vez de procurar competir nos componentes de maior volume, a BCAR concentra-se em peças que podem representar uma necessidade concreta para a oficina, mas que nem sempre estão disponíveis através dos canais independentes habituais.
Num parque automóvel europeu envelhecido e simultaneamente cada vez mais diversificado do ponto de vista tecnológico, este tipo de peças pode representar uma oportunidade adicional para o pós-venda. A questão passa por garantir que, quando chega o momento da reparação, o profissional encontra uma alternativa ao canal oficial — e, sobretudo, que essa alternativa corresponde às exigências de qualidade e aplicação do veículo.
























