As exigências extremas do automobilismo de resistência colocam à prova componentes como velas de ignição, bobinas e sensores. A participação da Niterra nas 24 Horas do Nürburgring mostra como esta tecnologia é determinante quando o desempenho tem de ser mantido durante horas, sob temperaturas e cargas elevadas.

No automobilismo de competição, ganhar não depende apenas da potência do motor ou da capacidade dos pilotos. Numa prova de resistência, onde um automóvel pode permanecer 24 horas em pista, a fiabilidade de cada componente assume uma importância decisiva. É precisamente neste ambiente que tecnologias como as desenvolvidas pela Niterra, através das marcas NGK Ignition Parts e NTK Vehicle Electronics, são colocadas à prova.
Um dos exemplos mais recentes aconteceu nas 24 Horas do Nürburgring, realizadas em maio, onde a equipa Riller & Schnauck, apoiada pela Cerny Motorsport, conquistou a classe SP10 com um BMW M4. Mais do que o resultado desportivo, a prova serviu para demonstrar as exigências a que estão sujeitos os componentes de ignição e de gestão do motor durante uma competição de resistência.
Uma vela de ignição pode fazer a diferença
Num motor de competição, a vela de ignição tem de garantir uma ignição consistente mesmo quando o motor funciona durante longos períodos sob elevada carga. Temperatura, pressão no interior da câmara de combustão, rotação elevada e variações constantes das condições de funcionamento tornam a fiabilidade do sistema de ignição particularmente importante.
No BMW M4 utilizado pela Cerny Motorsport foram utilizadas velas NGK Laser Iridium, com uma ponta de irídio e um elétrodo de massa em platina. Segundo a Niterra, esta configuração foi escolhida pelas características de ignição, eficiência de combustão e durabilidade, fatores particularmente relevantes numa prova em que qualquer falha pode comprometer horas de trabalho da equipa.
A utilização de metais preciosos não é, contudo, apenas uma questão de competição. A tecnologia desenvolvida para responder às condições extremas do automobilismo permite também aumentar a durabilidade e a consistência de funcionamento das velas utilizadas em aplicações rodoviárias.

Da ignição aos sensores
A tecnologia envolvida vai muito além das velas. As bobinas de ignição são responsáveis por transformar a tensão elétrica disponível numa tensão suficientemente elevada para produzir a faísca, enquanto os sensores fornecem à unidade de controlo do motor informação essencial para gerir parâmetros como a posição e rotação do motor, a pressão e a temperatura.
É aqui que entra a NTK Vehicle Electronics, marca da Niterra dedicada à eletrónica e aos sensores automóveis. O seu catálogo inclui sensores de oxigénio/lambda, temperatura dos gases de escape, pressão MAP/MAF, posição e rotação do motor, entre outros componentes destinados aos sistemas modernos de gestão do motor.
Numa competição de resistência, a qualidade destes sinais é especialmente importante. O sistema de gestão do motor depende de informação precisa para ajustar continuamente o funcionamento do propulsor. Uma leitura incorreta pode afetar o desempenho, o consumo, as emissões ou, em situações extremas, a própria fiabilidade mecânica.
O automobilismo como laboratório tecnológico
A presença da Niterra no automobilismo vai para além do patrocínio de equipas. A empresa considera a competição um importante campo de desenvolvimento e validação tecnológica, utilizando a experiência acumulada em ambientes de competição para melhorar posteriormente as suas gamas de componentes para veículos de estrada.
A estratégia está presente em várias disciplinas do desporto automóvel e motociclístico. A Niterra refere atualmente o seu envolvimento em competições como Fórmula 1, WRC, MotoGP, World Superbike e MXGP, onde as exigências sobre motores e sistemas eletrónicos permitem testar componentes em condições muito superiores às de uma utilização convencional.
As 24 Horas do Nürburgring são, neste contexto, um exemplo particularmente expressivo. O circuito de 25,3 quilómetros combina a Nordschleife com o circuito de Grande Prémio e sujeita os automóveis a uma utilização contínua durante o dia e a noite.
É neste tipo de ambiente que a diferença entre um componente que simplesmente funciona e um componente concebido para funcionar de forma consistente sob condições extremas pode tornar-se decisiva.
A vitória da Cerny Motorsport na classe SP10 fica, assim, como um exemplo da importância da fiabilidade no automobilismo de resistência — e, simultaneamente, como uma montra tecnológica para componentes que desempenham um papel menos visível, mas fundamental, no funcionamento dos motores modernos.



























