As oficinas independentes de chapa e pintura aumentaram, em média, 5% o preço da sua mão de obra nos últimos dois anos, face ao aumento de 20% registado pelas redes de concessionários das marcas ou de 8% pelas oficinas multimarcas (não integradas em rede), segundo dados da quarta edição do estudo «Diagnóstico do Pós-venda em Espanha», hoje apresentado em Madrid pela Associação Nacional de Vendedores e Reparadores de Veículos (GANVAM) e aqui apresentados pela Revista Automotive.
As conclusões deste relatório, elaborado em colaboração com a consultora especializada GiPA, com base numa amostra de mais de 725 profissionais, evidenciam que, num contexto generalizado de inflação crescente, as oficinas independentes de chapa e pintura são as que têm maior dificuldade em aplicar os aumentos necessários para fazer face ao agravamento do custo de vida.

Peso das seguradoras
Ao analisar o perfil dos clientes que recorrem a cada tipo de oficina, os dados mostram que 62% das operações realizadas por uma oficina independente de chapa e pintura provêm de uma companhia de seguros; um volume que, no caso dos concessionários, se reduz para 20%.
Neste contexto, as seguradoras pagam, em média, 37 euros por hora às oficinas independentes de chapa e pintura, valor que, embora represente um aumento de 7% face a há dois anos, continua bastante abaixo dos 58 euros por hora pagos, em média, aos concessionários, montante que é 24% superior ao praticado em 2024.

Segundo o diretor-geral da GiPA, Fernando López, «o aumento do preço da mão de obra nos concessionários explica-se também pela concentração e pela perda da rede secundária (agentes e reparadores oficiais) que estes têm vindo a sofrer. No âmbito desta política de concentração, deixaram de operar centros de menor dimensão que, por natureza, aplicavam tarifas horárias mais baixas. Como os pontos de serviço que permanecem são de maior dimensão e praticam tarifas mais elevadas, acabam por pressionar em alta o preço médio da mão de obra registado na rede de concessionários».
Neste sentido, o relatório confirma um maior encaminhamento de reparações para o mercado independente por parte das seguradoras, o que demonstra um interesse crescente destas empresas em reparar em vez de substituir componentes.
Considerando a distribuição das entradas nas oficinas, apenas 20% do total das reparações registadas em Espanha são realizadas por concessionários de marca, sendo a “revisão oficial” a única tipologia de entrada em que o concessionário ou agente detém uma quota superior à das oficinas independentes. Com efeito, a rede de concessionários assegura 58% das “revisões oficiais”.

Capacidade de investir
Segundo o diretor-geral da GANVAM, Fernando Miguélez, «os dados demonstram que as oficinas independentes de chapa e pintura são as que menos aumentam o preço da mão de obra, uma realidade que evidencia a enorme pressão e o grande esforço que estas oficinas, com estruturas de menor dimensão, continuam a suportar para preservar a sua carteira de clientes, comprometendo diretamente a sua capacidade de investimento em tecnologia, os seus planos de digitalização e a necessária atração de talento».
Ao analisar o impacto da entrada de veículos eletrificados, os dados da GiPA para a GANVAM mostram que 80% dos concessionários recebem estes modelos, aos quais aplicam, em média, uma tarifa superior a 75 euros por hora. No caso das oficinas independentes (não integradas em rede), apenas 17% admite trabalhar com veículos eletrificados, aplicando uma tarifa média ligeiramente superior a 47 euros por hora.
Nos concessionários, o preço médio da mão de obra para este tipo de veículos aumentou 16% desde 2024. Atualmente, os concessionários posicionam-se como o canal com maior nível de preparação e capacidade de receção desta tecnologia, representando os veículos elétricos 4% da sua clientela total. Em contrapartida, nas oficinas independentes, a presença destes modelos mantém-se em níveis mínimos, equivalentes a 1% dos seus clientes totais, condicionada pelo facto de o parque automóvel eletrificado ainda ser relativamente recente.

Margem de lucro líquido
O relatório destaca ainda um aspeto particularmente revelador sobre a gestão interna dos negócios de reparação em Espanha: 56% das oficinas desconhecem a sua margem líquida por hora faturada.
Este desconhecimento de um indicador operacional tão relevante limita a capacidade de mais de metade das oficinas para efetuarem uma avaliação real dos seus lucros. Entre os 44% que afirmam conhecer este indicador, predominam as margens reduzidas: 48% situam este rendimento abaixo dos 20%, 43% colocam-no entre os 20% e os 30% e apenas 9% o situam acima dos 30%.

























