A Honda Motor Co., Ltd. registou em 2025 o seu primeiro prejuízo anual em quase 70 anos como empresa cotada em bolsa, após ter sido afetada por mais de 9 mil milhões de dólares em custos relacionados com a reestruturação do seu negócio de veículos elétricos (VE). A empresa abandonou também os seus objetivos de longo prazo para as vendas de VE.

A divulgação do pior relatório financeiro desde que a Honda entrou na bolsa em 1957, sublinha o risco de uma aposta agressiva nos veículos elétricos para um fabricante automóvel tradicional, sobretudo quando a procura fica aquém do esperado.
Toshihiro Mibe, diretor-executivo do segundo maior fabricante automóvel do Japão, afirmou em declarações à Reuters, que a Honda abandona a meta de fazer com que os VE representem um quinto das vendas de carros novos em 2030, bem como o objetivo de uma transição total para veículos elétricos ou movidos a célula de combustível até 2040.
Declarou também que a Honda irá suspender por tempo indeterminado o seu projeto de VE no Canadá, um plano de investimento de 11 mil milhões de dólares destinado à produção de VE e baterias, que teria sido o maior investimento de sempre da empresa japonesa no país.
Ações sobem sem corte nos dividendos
As ações da Honda a dois meses encerrarem a subir 3,8%, depois de a empresa prometer pelo menos 800 mil milhões de ienes em retorno para os acionistas ao longo de três anos e manter o dividendo anual em 70 ienes por ação, tanto para o novo exercício fiscal como para o exercício acabado de terminar.
Esta promessa evidencia a dependência da Honda do seu rentável negócio para gerar liquidez e sustentar o retorno aos acionistas.
Imparidade nos elétricos
James Hong, responsável pela investigação de mobilidade da Macquarie Group considera que algumas das medidas apresentadas pela empresa como parte da sua estratégia, como por exemplo o recurso a mais componentes provenientes da China, “não trazem nada de novo” conforme publicado pela Bloomberg. Realmente falta frescor, aplicabilidade, facilidade e especialmente adequação às necessidades dos clientes europeus.
A Honda registou perdas relacionadas com VE no valor total de 1,45 biliões de ienes no exercício finalizado em março e espera enfrentar custos adicionais de 500 mil milhões de ienes no exercício agora iniciado. Em março, a empresa tinha estimado custos de imparidade relacionados com VE até 2,5 biliões de ienes.
Ainda assim, a empresa espera regressar aos bons resultados este ano, prevendo um lucro de 500 mil milhões de ienes graças a medidas de redução de custos e ao seu lucrativo negócio de motociclos. “O negócio das motos irá expandir a capacidade de produção na Índia (…) e pretende atingir vendas recorde de 22,8 milhões de unidades”, afirmou a Honda num comunicado de resultados.
As fortes vendas na Índia e no Brasil permitiram ao negócio de motociclos alcançar volumes de vendas e lucros operacionais recorde no exercício terminado em março, ajudando a empresa a amortecer o impacto das elevadas perdas relacionadas com os VE.
Contudo, a Honda projeta que o aumento dos preços das matérias-primas, e outros fatores externos, provoquem um impacto negativo de 313 mil milhões de ienes no lucro operacional do atual exercício fiscal.



























