No universo das berlinas executivas, poucas propostas são tão singulares quanto o Mercedes-Benz E 300de. Integrado na atual geração W214, lançada em 2023 e comercializada entre 2024 e 2026, este modelo destaca-se por uma combinação pouco comum no segmento: um plug-in híbrido com motor diesel.

Debaixo do capô encontramos um motor 2.0 turbodiesel de 197 cv, combinado com uma unidade elétrica alimentada por uma bateria de 25,4 kWh. O resultado é uma potência conjunta de cerca de 313 cv (230 kW) e um binário máximo na ordem dos 700 Nm, números que colocam esta versão entre as mais potentes da gama Classe E.
A transmissão é assegurada pela caixa automática 9G-Tronic de nove velocidades, garantindo passagens suaves e uma gestão eficiente da energia entre os dois motores.
O arranque em modo 100% elétrico é rápido e silencioso, ideal para contexto urbano. Quando o diesel entra em ação, fá-lo com vigor e com a assinatura sonora característica da marca, proporcionando uma entrega de potência viva e progressiva. É um conjunto pensado para quem aprecia um carro enérgico — e que não abdica de autonomia em longas distâncias.
Dinâmica afinada
Apesar dos seus 2.245 kg de tara, o E 300de surpreende pela agilidade em andamento. A direção é precisa e o chassis revela um acerto refinado, permitindo ritmos elevados em curva com confiança. A suspensão acompanha essa filosofia mais desportiva, mantendo o controlo da carroçaria mesmo em condução mais entusiasta. As patilhas no volante reforçam essa vertente dinâmica, convidando o condutor a uma interação mais direta com a caixa automática.
Curiosamente, é em travagem que o peso se faz sentir com maior evidência. Se em aceleração o carro parece leve, ao travar percebe-se alguma inércia associada à massa total — ainda que os discos e pinças de grandes dimensões cumpram eficazmente a sua função. É uma característica intrínseca ao conceito híbrido e não propriamente um defeito.
Tecnologia em primeiro plano
O interior segue a filosofia digital da marca, centrada no sistema MBUX, com conectividade avançada e múltiplas funções geridas através do ecrã central — incluindo a climatização, que abdica de botões físicos.
No volante, os comandos são sensíveis ao toque e altamente responsivos, bastando um leve gesto para executar as ações. É um ambiente claramente orientado para um público que valoriza a digitalização e a interação tecnológica.
A envolvência é marcante: o habitáculo “abraça” os ocupantes, privilegiando a sensação de cockpit. Em alguns aspetos, isso pode significar ligeiro sacrifício de espaço, mas ganha-se em imersão. À noite, o ambiente transforma-se com a iluminação ambiente abundante, criando um cenário particularmente apelativo para um público mais jovem.
Exteriormente, o E 300de apresenta linhas mais estreitas e um perfil adelgaçado, com uma altura de entrada e saída relativamente baixa. A superfície vidrada acompanha a linguagem atual da marca, encapsulando o condutor numa sensação de segurança e contribuindo para um excelente nível de insonorização.
A contrapartida é uma visibilidade traseira mais reduzida, compensada por uma câmara de marcha-atrás com excelente qualidade gráfica.
Vocação empresarial e uso diário
A presença da bateria compromete parcialmente a capacidade da bagageira, tornando esta versão menos vocacionada para grandes volumes de carga. Ainda assim, a possibilidade de rebater os bancos traseiros — algo nem sempre comum nas limousines executivas — amplia a versatilidade.
Tudo indica que o E 300de foi desenhado a pensar nas frotas empresariais: é plug-in, é diesel, permite percorrer bons quilómetros em modo elétrico no quotidiano urbano e, quando necessário, garante ampla autonomia em viagens longas graças ao motor térmico.

Assistência à condução: eficaz, mas intrusiva?
Como é habitual na Classe E, os sistemas de assistência e segurança são extensos e sofisticados. No entanto, há um aspeto que exige adaptação: em diversas situações — aproximação a portagens, rotundas ou ao veículo da frente — o carro pode travar automaticamente com firmeza. Para evitar uma desaceleração mais brusca, o condutor tem de manter alguma aceleração, num gesto pouco intuitivo.
Essa funcionalidade, tal como outras ajudas à condução, pode ser desativada sempre que o veículo é ligado, caso o utilizador as considere demasiado intrusivas.
Um executivo com energia
O Mercedes-Benz E 300de (2026) afirma-se como um executivo diferente: tecnológico, envolvente e surpreendentemente dinâmico para o seu peso. Combina racionalidade empresarial com um carácter jovem e desportivo, numa proposta que alia eficiência elétrica, autonomia diesel e uma forte identidade digital.
Num segmento cada vez mais eletrificado, esta fórmula híbrida a gasóleo continua a ser uma raridade — e talvez seja precisamente aí que reside parte do seu apelo.



























