Da 8.ª edição do Estudo de Mobilidade Ayvens, fizemos um pequeno e abreviado resumo, do extenso documento. Muito ficará por registar neste artigo tendo em conta o volume e detalhe do estudo; porém, pareceu-nos por bem dar alguma relevância a alguns pontos que se seguem. Contudo, só a leitura cuidada de todo o estudo poderá fornecer informações válidas para cada setor e para cada empresa em particular.
No estudo constatou-se que no mercado automóvel da União Europeia como um todo, os registos de automóveis novos subiram ligeiramente em 2025, aumentando 1,8%; ou seja para 10,8 milhões de unidades vendidas até dezembro. As vendas de BEV (Veículo Elétrico a Bateria) na UE aumentaram cerca de 30% em 2025 face a 2024, atingindo 17,4% do total de vendas. Em 2025, Portugal atingiu uma quota de 23,22% em BEV, um aumento de 17% face a 2024.
Custo energético
Verificou-se uma tendência de estagnação da competitividade dos BEV, que só poderá ser ultrapassada quando a oferta de modelos dos segmentos utilitário e pequeno furgão for mais competitiva e as autonomias mais adequadas para o mercado frotista.
Quando o utilizador depende exclusivamente da rede pública para carregar o seu veículo, a competitividade global dos BEV reduziu dos 76% para os 62%. Neste contexto, bastante realista para muitos utilizadores, a gasolina recupera terreno nos dois segmentos de entrada (utilitário e utilitário SUV), onde a sensibilidade ao custo energético é maior.
No caso de uma empresa atribuir um veículo elétrico a um colaborador cuja utilização seja 50% profissional e 50% particular, a dedução é de apenas 50% do IVA da locação, contudo não retira competitividade, mas verifica-se um recuo dos BEV e PHEV (Veículo Híbrido Plug-in).
Propulsão competitiva
Cerca de 40% da oferta de modelos novos de veículos de passageiros é eletrificada. Em contraste, a oferta diesel caiu 36 pontos percentuais desde 2020, representando hoje 18% dos modelos disponíveis — sendo praticamente inexistente nos segmentos B e C; a introdução de eletrificados é especialmente elevada nos segmentos D e E.
Na quilometragem de referência para as frotas (30 mil Km), os BEV são a propulsão mais competitiva em todos os 8 segmentos de veículos de passageiros. Esta tendência verificou-se desde 2023, mas em 2025 a poupança média dos BEV diminuiu dos 24% para 16% pelo aumento dos escalões da tributação autónoma.

BEV importados
No renting, em 2025 houve uma desaceleração do crescimento dos BEV (redução de 0,6 p.p. face a 2024) explicada, por um lado, pela disponibilização tardia de modelos do segmento B (previstos para 2026), com preços mais competitivos e autonomias adequadas às necessidades das frotas e, por outro, pela insuficiente cobertura e fiabilidade da rede, sobretudo para clientes sem acesso a infraestruturas privadas de carregamento.
A velocidade de crescimento do parque de BEV é superior à velocidade de crescimento da rede. De destacar o aumento do volume de BEV importados: em 2025 cresceram 24% face ao ano anterior. Para além da discrepância entre a oferta e a procura de pontos de carregamento, a limitação da concorrência entre operadores não colabora na redução dos preços.
No geral, os veículos a combustão aumentaram 2,7% no total de novos contratos. Este crescimento foi sobretudo impulsionado pelos modelos a gasolina, que têm vindo a consolidar a sua relevância nos últimos três anos.
Dedução do IVA
Com a publicação do Ofício 25088, da Autoridade Tributária e Aduaneira clarificou o regime de dedução do IVA suportado na aquisição e utilização de veículos BEV, PHEV, GPL ou GNV. A dedutibilidade integral do IVA da locação deixa de ser possível quando os veículos têm utilização particular, ainda que parcial. Nestes casos, passa a ser obrigatório definir um racional objetivo e devidamente documentado, que permita determinar a proporção de utilização profissional. Essa proporção servirá de base para apurar a percentagem de IVA efetivamente dedutível.
Com base na futura regulamentação, o mercado conseguirá disponibilizar soluções de submetering, que respondam de forma eficaz às necessidades dos utilizadores e das suas entidades empregadoras. Essaevolução será determinante para manter o ritmo atual das frotas empresariais, promovendo um maior ajuste no contexto corporativo.



























